notas culturais, fragmentos do exílio - venturabravo [at] gmail [dot] com

5.3.12

mathilde est revenue — ¡kill the reader!



matilda vai e volta com as marés.
matildá sono io —— bah, mais non, non, non, non; pas encore!


13.1.12

Minhas mesmas emoções

Minhas mesmas emoções
São coisas que me acontecem.


31-8-1932

Poesias Inéditas (1930-1935). Fernando Pessoa. (Nota prévia de Jorge Nemésio.) Lisboa: Ática, 1955 (imp. 1990).

- 94.

8.1.12

inverno



porque está um frio-seco delicioso, e também como débil reconhecimento do "inverno" (presente-compilação) e do inferno (que em 2012 possa ser minimizado) do josé :)

7.1.12

We dislike most people too much to do them the honour of arguing with them.

Alaind de Botton

27.12.11

it's hard to be a cute man

um verão




[Memória inexacta de uma carta fantasiosa de método impressionista entretanto diluído, enviada de longe para lejos a uma rapariga com que fiquei com uma dívida moral:]

Do sítio donde me encontro as gaivotas aproximam-se e afastam-se em espirais, dançando entre si, transversalmente. Com movimentos elípticos, os garajaus completam o circo fazendo razias a tudo o que mexe ou imóvel permanece: água, esporão, banhistas, barcos, gaivotas—
Daqui, sentado no pontão, observo o rapaz que ao longe no areal pensa numa carta mirando em minha direcção. O mar revolto, a neblina, um papagaio ao vento; o sol disperso insiste mas não consegue vingar. No fim de contas já não é verão e anunciam uma tempestade para logo à noite.
Porém, as gaivotas permanecem por isso desconfio; elas sabem melhor da meteorologia.


(com carinho, para o josé, que invariavelmente acaba negligenciado na distribuição dos afectos -- que é o que dá dar-se com loucos)

14.12.11

tempestades

I. I
A tempestuous noise of thunder and lightning heard:
enter a Ship-master, and a Boatswain.







Le Tempestaire
(1947, Jean Espstein)

Storm, Belle-Isle Coast [I e II] (1886, Claude Monet)

V. I
Enter Prospero (in his magic robes) and Ariel.



sumidouro de I Know Where I'm Going! (1945, Powell e Pressburger),
resultado de intempestividades de natureza diversa


[...]
PROSPERO: I'll deliver all,
And promise you calm seas, auspicious gales,
And sail, so expeditious, that shall catch
Your royal fleet far off: my Ariel; chick
That is thy charge: then to the elements
Be free, and fare thou well: please you draw near.

[texto: The Tempest, 1611, William Shakespeare, edited by G.B. Harrison, Middlesex: Penguin Books, 1955]

13.12.11

a virtualização do (ser-)corpo pelo olhar


Yuke Yuke nidome no shojo (Go, go second time virgin, 1969, Kôji Wakamatsu)


Egon Schiele, Man bending down deeply


"O investimento não é tão privilegiado nas mulheres como nos homens. Mais do que qualquer outro sentido, a visão objectiva e controla. Fixa-se à distância e mantém essa distância. Na nossa cultura a predominância da visão sobre o olfacto, o paladar, o tacto e a audição tem levado a um progresso das relações corporais. A partir do momento em que o olhar domina, o corpo perde a sua materialidade."

Luce Irigaray (1978), Entrevista em M.-F. Hans e G. Lapouge (eds.), Les Femmes, la pornographie et l'erotisme, Paris: Seuil, p. 50

12.12.11

o fantasma da criação


Diane Arbus, "A House on a Hill", Hollywood, California, 1963


"A máquina fotográfica, com o seu poder de captar a luz e convertê-la em substância, sempre lhe pareceu um dispositivo mais metafísico do que mecânico. O seu primeiro trabalho a sério foi técnico de câmara escura; o seu maior prazer era sempre o trabalho na câmara escura. à medida que a imagem fantasma emergia sob a superfície do líquido, à medida que os veios da escuridão no papel começavam a unir-se e a tornar-se visíveis, ele experimentava por vezes um pequeno arrepio de êxtase, como se estivesse presente no dia da criação."

J.M. Coetzee, (O) Homem Lento [2005], trad. J. Teixeira de Aguilar, Lisboa: Dom Quixote, 2008, p. 77

11.12.11

"El fútbol es uno de los mayores crímenes de Inglaterra".

Jorge Luis Borges

18.10.11

how 'talkies' became real

"8 de Dezembro

Nora, minha querida e amável putéfia, fiz como disseste, menina porca, e enquanto li a tua carta bati duas pívias. Estou encantado por ver que gostas de ser fodida pela via traseiral [confrontar com as 2 vias de Parménides]. Sim, lembra-me agora aquela noite em que te fodi por detrás durante muito tempo. Adorada, foi a foda mais indecente que alguma vez te dei. Estive horas com a piça espetada em ti, a foder para fora e para dentro, abaixo do teu rabo voltado ao contrário. Sentia as tuas gordas ancas suadas debaixo da barriga e via-te o rosto em fogo, e os olhos enlouquecidos. Sempre que eu dava uma bombada a tua desavergonhada língua brotava entre os lábios; e o teu traseiro, se a bombada era mais forte que as outras, cuspia grandes peidos sujos. Adorada, nessa noite tinhas o cu cheio de peidos e a foder fi-los sair de ti, uns senhores peidos fartos, compridos e ventosos, pequenos traques vivos e alegres, e uma porção de pequenos peidos perversos que terminavam num grande fluxo saído do olho do cu, É maravilhoso foder uma mulher que se peida, que põe cá fora um a cada bombada. Julgo que em qualquer lado saberia reconhecer um peido da Nora. Julgo que poderia identificá-lo num quarto cheio de mulheres a peidarem-se. É um ruído muito de menina, diferente do peido húmido que eu imagino ligado a gordas senhoras casadas. É inesperado, e seco, e sujo como aquele que uma descarada rapariga larga de noite, por piada, no dormitório de um colégio. Espero que a Nora me dê um nunca acabar de peidos no rosto, para eu também ficar a conhecer-lhes bem o cheiro."

James Joyce, Querida Nora! (cartas de 1909), trad. Carlos Valente, Lisboa: Hiena Editora, 1994



[aqui, o acompanhamento — reflectir sobre a desinência do quarteto; e é fantástica toda a "música" que não a dos instrumentos que tocam, os ruídos circundantes, a sinfonia dos espectadores: vida]

25.8.11

A não ser que te tornes invisível, é mais que certo que serás observado. Que adianta deixares-te perturbar por isso? O mais importante é instalares-te na melhor posição para desenhar o que queres desenhar. Ouve, posso dizer-te repetidas vezes que tornes este esboço mais claro, aquele mais escuro, mas uma descoberta que tu próprio faças vale vinte mil coisas que te forem ensinadas, mesmo que seja uma descoberta que toda a gente fez. Mas, tendo dito isto, uma escola é o melhor lugar para dissecares os teus desenhos, para ultrapassares a monotonia da técnica, como um pianista que pratica perpetuamente as escalas. Não podes simplesmente ir e despachar o assunto?

Esther Freud, A Casa do Mar [2003] (trad. Isabel Alves, Lisboa: Edições ASA, 2010, p. 106)

30.7.11

auto-comprazimento

hoje marquei 34 pontos

último jogo
nem um triplo

(a autobiografia tem sempre narcisismo em doses mais ou menos controladas)

30.6.11

humanidad




"EMPERADOR.—(Parturienta; respira mal.) ¡No puedo más, doctor; anestésieme... drógueme!
EMPERADOR.—(Doctor.) ¿Te crees un beat-nick? ¿Thomas de Quincey? ¡Drogarte!... Un esfuerzo y en seguida.

(Chillido feroz.)

EMPERADOR.—(Doctor.) ¡Aquí está, entero!... ¡Buen espécimen de los terráqueos! ¡Otro nuevo elemento de la raza... aquí está! A usted ya no le podrán decir que no ha colaborado a los valores de nuestra civilización. ¡Uno más!
EMPERADOR.—(Madre.) ¿Es niño o niña?
EMPERADOR.—(Doctor.) ¿Que quiere que sea? Niña... Ahora son todas niñas. ¡Ya no nacerán nada más que niñas! Una humanidad entera de lesbianas. Se acabarán las guerras, las religiones, el proselitismo, los accidentes de coches. ¡Una humanidad feliz! El mejor de los mundo. El único gasto que habrá será en consoladores."

Fernando Arrabal, El Arquitecto y el Emperador de Asiria (1967)

27.6.11

drifting








Allie
(Chris Parker):
"Some people, you know, they — they can distract themselves with ambitions and motivation to work, you know, but not me... They think people like myself are crazy, you know. Everyone does because of the way I live, you know. "

Permanent Vacation (1980, Jim Jarmusch)

7.6.11



Se um poeta ou escritor já é ridículo e onde quer que seja já é difícil de suportar para a sociedade humana, quanto mais ridícula e impudente não é toda uma horda de escritores e poetas e daqueles que como tal se consideram, juntos num montão! [...] O falatório de escritores nos átrios dos hotéis da pequena Alemanha é de facto o que de mais repugnante se pode imaginar. Mas o mau cheiro é ainda muito mais fedorento quando é subvencionado pelo Estado. Como em geral é hoje tão nojento o ar infecto das subvenções que só dá vontade de vomitar!

Thomas Bernhard, Os Meus Prémios, 2009, Quetzal Ed., tradução de José A. Palma Caetano, p. 140
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